sábado, 24 de outubro de 2009

As consequências da batalha de Alcácer-Quibir


A pedido da leitora Sónia Teixeira, foi-me sugerido que desenvolvesse mais o tema relativo ao último vídeo aqui apresentado de forma a enquadrar melhor a temática versada. Deste modo, e como considero importantes as opiniões que chegam até mim, aqui vai o desenvolvimento desse assunto.
Quando em 1557 morre D. João III o seu neto D. Sebastião é aclamado rei de Portugal uma vez que o seu filho o príncipe D. João também já tinha morrido. Como D. Sebastião só tinha 3 anos a regência do reino foi entregue, primeiro a D. Catarina sua tia-avó e depois ao cardeal D, Henrique seu tio-avô até o jovem monarca completar a idade de 14 anos necessária para tomar conta do trono que lhe pertencia.
Muito novo e inexperiente o jovem rei estava desejoso de pôr em prática os seus sonhos de glória e retomar a politica de conquistas e sucesso do seu bisavô D. Manuel I que tinha sido abandonada pelo seu avô D. João III muito em parte devido à acção dos corsários ingleses e franceses que atacavam as nossas colónias, diminuindo assim substancialmente as receitas do comércio o que agravou a crise económica em que o reino estava mergulhado.
Para melhorar a situação económica do reino e matar a sua sede de conquista D. Sebastião decide que a solução é retomar as conquistas no norte de África. Apesar da oposição de alguns dos seus conselheiros ele organiza um exército com cerca de 18 mil homens e a 12 de Julho de 1578 desembarca em Arzila e dirigiu-se em direcção a Alcácer-Quibir. A 4 de Agosto do mesmo ano dá-se o confronto entre as tropas portuguesas e as marroquinas e o saldo foi francamente negativo dando-se uma estrondosa derrota do exército português morrendo cerca de 9 mil homens, metade dos efectivos e tendo desaparecido o rei D. Sebastião que como não tinha filhos não tinha deixado um sucessor directo ao trono português. D. Henrique volta assim novamente a ser regente do reino mas acaba por morrer em 1580, dois anos depois da batalha de Alcácer-Quibir colocando-se novamente o problema do sucessor à coroa.
Assim, na ausência de sucessores directos os pretendentes ao trono eram os 3 netos de D. Manuel I, tios de D. Sebastião, Filipe II, rei de Espanha que tinha o apoio do clero, nobreza e burguesia que esperavam obter cargos, privilégios e facilidades comerciais no império Espanhol, D António Prior do Crato que tinha o apoio do povo que não queria um rei Espanhol, por fim D. Catarina duquesa de Bragança, que era apoiada por alguma nobreza mas não tinha forças para lutar pelo trono e logo cedo desiste em favor de Filipe II.
D. António prior do Crato foi aclamado rei em algumas cidades como Santarém, Setúbal e Lisboa mas Filipe II mandou um poderoso exército que venceu as tropas de D. António na batalha de Alcântara. Após essa vitória Filipe II vai ser aclamado rei de Portugal nas Cortes de Tomar em 1581 com o nome de Filipe I de Portugal uma vez que ainda não tinha havido ainda nenhum rei com esse nome. A subida deste rei ao trono vai inaugurar um período a que chamamos de União Ibérica, que corresponde ao período de tempo em que Portugal e Espanha são governados pelo mesmo rei. Esse período vai de 1581 até à Restauração a 1 de Dezembro de 1640, cerca de 60 anos.
Por esse motivo se costuma dizer que com Alcácer-Quibir não se perdeu só uma guerra mas também a independência do país.


Com votos de boas leituras, e até a próxima!



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Batalha de Alcácer-Quibir e o problema de sucessão ao trono

A ideia de D.Sebastião de procurar expandir o território português em direcção ao norte de África tornou-se um pesadelo para o país! Vejam porquê!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O carácter enigmático do megalitismo

Com o progressivo aquecimento climático por volta de 10 000 a 6000 anos antes da era cristã foi possível aos homens de então deixarem a sua vida nómada sempre pendente da existência ou não de alimentos no meio ambiente onde viviam. Essa tendência meramente recolectora e a sua dieta baseada nos frutos silvestres que apanhavam na natureza e animais que conseguiam caçar, fazia com que essas populações se deslocassem longas distâncias à procura de territórios mais quentes onde os alimentos eram mais abundantes não tendo deste modo um habitat fixo.
Devido em parte, ao já referido aquecimento climático o homem vai deixar de se deslocar à procura de alimentos e vai aos poucos vai começar a desenvolver a agricultura e pastorícia que lhe vão permitir uma base alimentar mais estável. Vão surgir assim, novos instrumentos ligados a essas novas actividades, surge o arado, a enxada, a foice, a mó o martelo e o machado, os primeiros de madeira com dentes de pedra e os restantes de pedra, sendo utilizada para fabricar martelos e machados uma novidade em relação ao homem do paleolítico uma vez que agora já sabiam polir a pedra, daí o nome neolítico (nova-pedra).
Bem, mas essa vida sedentária permite ao homem se dedicar a outras actividades de cariz místico e religioso como os dolmens ou antas que se destinam ao enterramento dos mortos da comunidade. Esses monumentos, compostos por grandes blocos de granito era onde depositavam os seus defuntos em posição fetal deixando-lhe ao lado os seus pertences e alimentos o que nos faz pensar que acreditavam na vida após a morte. Essas imponentes estruturas funerárias eram cobertas de terra e pedras (mamoa) a fim de ficarem protegidas.
Embora eu considere as antas uns monumentos interessantes que mostram uma preocupação emergente de devoção e culto aos seus antepassados, mas o que intriga verdadeiramente a maioria dos académicos que estudam a pré-história é a finalidade atribuída aos menires e cromeleques. Embora se considere que teriam como função uma espécie de culto à natureza, ao sol ou um simples ritual de fertilidade. O que é certo, é que são monumentos nos levam a reflectir sobre a intenção que teriam aqueles nossos longínquos antepassados em deslocar aquelas enormes pedras ao longo de kilometros utilizando apenas as mãos e rolos de madeira para depois as espetarem na terra sem uma utilidade demasiado evidente. Ao que tudo indica serviriam como culto à fertilidade sendo esta a tese aceite pelos historiadores mas a realidade é que são monumentos imponentes que contribuem para um espectáculo paisagístico bonito de ser observado como podemos constatar na imagem apresentada neste artigo.

Imagem do menir dos almendres em Évora

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Apresentação do Pedra Lascada


Imagens da praia de Moledo do Minho a melhor de Portugal










Imagens do castelo de Estremoz e zona envolvente

O Pedra Lascada é um bloque agora criado por mim cuja finalidade será dar a conhecer alguma coisa de História do nosso pais. Valorizando o património aqueológico e arquitectónico das regiões por onde vou passando e que procuro divulgar. Neste momento, a mais de 500 kilometros de distância em relação à minha casa em Moledo do Minho vou procurar ocupar algum do meu tempo escrevendo neste espaço.
Como este é o meu primeiro texto e que serve acima de tudo de apresentação deste pequeno forum de ideias com história e património à mistura não vou ser original e vou mostrar umas imagens que retirei da internet sobre a cidade onde trabalho (Estremoz) e a aldeia onde vivo (Moledo do Minho).